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Filosofia Tantra Tantra Yoga – Democratização do Yoga

Tantra Yoga – Democratização do Yoga

Thiago Dicheli

Neste livro, O que é Yoga, com prefácio do querido Professor Marcos Rojo Rodrigues, o Prof. Hermógenes nos esclarece uma comum confusão que existe sobre a noção de Tantra.

Mesmo entre professores de Yoga, este conceito não é interpretado corretamente, e muitas vezes, propositalmente, manipulado por algumas pessoas que buscam benefícios pessoais e comerciais.

A defesa de uma prática de Yoga democrática, que possa ajudar a todos, que possa alcançar a todos, que beneficie a muitos, é o estilo e a forma de ensinar de Hermógenes, que fica mais clara ainda quando ele nos explica os Sastras, escrituras sagradas, sempre a referenciar seus ensinamentos em fontes autênticas.

A palavra tantra deriva da raiz tan (espalhar, divulgar) mais o sufixo tra (salvar). Significa, portanto, “divulgar para salvar”. Talvez seja mais apropriado entender o trantra como uma democratização do Yoga. Em meu trabalho ao longo das décadas, fui descobrindo que há um “Yoga pra quem pode” e – graças a Deus! - um “Yoga para quem precisa”. Até agora tenho me ocupado somente deste último. O outro é elitista. Usamos o termo elitista no melhor sentido. Há de fato um número muito reduzido de pessoas formando uma abençoada e luminosa “elite espiritual”que tem virtude e potencial suficientes par o altíssimo ônus de avançar por caminho estreitíssimo.

O tantra sastra ou escrituras tântricas consta de diálogos entre Shiva e sua esposa Parvati, nos quais importantes informações são divulgadas e verdades profundas são “des-veladas” com o misericordioso propósito de ajudar aqueles que, vivendo na “era das trevas”, sinceramente anelem pela salvação. O Cristo declarou que viera não para os bons, mas para os maus (os de Kali yuga?).

Trata-se de diálogos entre o Senhor (a Consciência Suprema) e sua divina esposa, também denominada Shakti (a energia cósmica criadora). Quando Ela pergunta e Ele responde, o texto é conhecido como agama, no caso contrário, nigama.

Cada texto inclui os seguintes tópicos:

a) criação do universo;

b) sua destruição;

c) a adoração;

d) os exercícios espiritualizantes (Yoga);

e) os rituais e cerimônias;

f) as seis ações (kriyas) de purificação;

g) meditação (dhyana)


Características do Tantra


As diversas escrituras tântricas apresentam uma série de características comum:

1.      Aceitam os vedas e não contestam os seis dharsanas ou ângulo de visão na interpretação dos Vedas (as seis “escolas filosóficas”)
2.      Têm por objetivo salvar o homem de Kali yuga.
3.      São democratizantes, pretendendo ajudar a todos. Ninguém é excluído por motivo de casta, cor, sexo, temperamento, tempo, lugar etc. Esta catolicidade ampla do tantra, em seu aspecto chamado dakshina, isto é, o “Tantra da mão direita”, torna-o aceitável e assimilável pelas mais diferentes religiões. Até mesmo sem o saber, religiões ocidentais utilizam procedimentos litúrgicos e princípios tipicamente tântricos.
4.      Enfatizam a prática, o exercício. Asseveram que os textos que são simples especulações intelectuais sobre a natureza última das coisas não chegam a saciar a sede espiritual, da mesma forma que só a leitura da bula não cura o doente. Tem de haver a experiência. Não somente theoria, mas também e muito mais a práxis.
5.      Afirmam que o ser humano precisa crescer, transformar-se e aprimorar-se para poder se libertar da mediocridade e ds aflições deste mundo.
6.      Recomendam a aceitação do mundo que nos envolve, exaltando cada coisa, nada descartando, mas colocando cada uma em seu justo lugar. O tantrismo, no entanto, fornece prescrições apropriadas para uma ordenação da vida segundo e seguindo as leis da Natureza. Para o tantrista, este mundo material é tão real quanto os mundos sutis. Tudo é manifestação da mesma Shakti ou Divina Energia.
7.      Prescrevem uma particular forma de viver, apropriada ao temperamento e à natureza de cada índivíduo, seja ele quem for. Considerando o guna dominante, há três espécies de temperamento: pasubhava (tipo animal), virabhava (tipo heróico); duvabhava (tipo áureo).
8.      Cultivam a certreza científica. Ter fé é dispensável, pois a eficiência do tantra é cientificamente demonstrável. Diz um mestre: Pratique o que dizemos e, por si mesmo, constate o resultado. Deixe a fé para depois...

A indicação da orgia erótica como caminho tântrico é um ruinoso equívoco. Embora muito a gosto dos libertinos, é coisa típica e exclusiva dos adhikaris, os da “mão esquerda”ou “magos negros”. Os da “mão direita” ou “magos brancos”devem, ao contrário, cumprir prescrições éticas que são ainda mais rigorosas que as da própria Raja Yoga. Enquanto esta tem cinco yamas e cinco niyamas, a tantra prescreve o dobro de yamas e niyamas...Que imenso o contraste entre os dois caminhos!


Prof. Hermógenes, O que é Yoga, p.159





 

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