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Meditação Artigos Não há despertar sem dor

Não há despertar sem dor

Henrique Saad

 

 

"Não há despertar sem dor. As pessoas vão fazer qualquer coisa, não importa o quão absurdas, a fim de evitar enfrentar a sua própria alma. Um não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas tornando a sua própria escuridão consciente." (Carl Jung)

Achei de uma grande sensatez essa frase de Carl Jung. É muito comum vermos no meio da Yoga e entre praticantes de meditação essa noção de que na prática tudo é bonitinho, só sorrisos, dias belos, num mundo que eu chamaria de Doriana. Essa idéia que nos mostram nas capas das revistas e nos estúdios da moda, com todo mundo sorrindo numa prática exuberante, é fruto do mercantilismo. Como tudo que chega no Ocidente, é necessário observar certos padrões de marketing para ser aceitável e consumido. Com o máximo respeito a essa onda predominante na yoga ocidental, a prática espiritual está muito além disso.

Contemplar sobre a vida daqueles que alcançaram o despertar nos mostra que esse é um processo lento, gradual e muitas vezes doloroso. Haverá períodos bons e ruins. No caminho seremos agraciados com felicidade indescritível, que nem poderíamos imaginar existir por ser num grau e qualidade completamente distinto da felicidade que encontramos no mundo. E também encontraremos períodos dolorosos, aonde temos que enfrentar as bolhas negativas latentes que brotaram do nosso subconsciente. Esse lado escuro da mente tem que ser enfrentado.

Pode-se perguntar: se podem surgir coisas ruins, então para que vou praticar yoga e meditação? Justamente porque mais cedo ou mais tarde você terá que enfrentá-las. Então é melhor se preparar e fortalecer-se para enfrentar essa batalha.

 A “má notícia” é que essa escuridão já está dentro de nós e, inclusive, regula boa parte de nossa vida, querendo ou não. Não há como escapar. Se nascemos nesse mundo, já estamos em Maya, envolvidos pela escuridão. Essas sementes escuras que estão dentro de nós precisam ser queimadas. Essa tarefa (purificar essas sementes negativas), é a tarefa mais urgente que temos em nossas vidas. Cada segundo é precioso nesse processo de purificação mental. A vida é curta e a caminhada é longa.

 A “boa notícia” é que yoga e meditação lhe dão as ferramentas para lidar com essa bolhas que podem surgir em sua mente de uma maneira equânime. E a partir do momento em que você traz para o consciente essas bolhas sem se envolver, assumindo o papel do observador sereno, essas sementes são queimadas e você se livra desse peso que carrega por muitas vidas. Esse é um gradual processo de purificação, que vai muito além do superficial conceito que é passado pelas fotos de divulgação.

Isso não é uma visão negativa da prática. É realista. E a felicidade que advém dessa prática é indescritível. É real. É Ananda. A sadhana (prática espiritual regular) é um processo lento, gradual, realista, muitas vezes e necessariamente doloroso, mas que ao final lhe dará a chave para o mais alto grau de felicidade que um ser possa conceber. A felicidade que advém do conhecer plenamente a si mesmo. Nesse ponto, não há mais espaço para dor, nem para sofrimento, a sua própria existência passa a ser uma expressão da Verdade, Consciência e bem aventurança absoluta.
 
Hari Om Tat Sat
 
Henrique Saad: no caminho da Yoga desde 2005, dá aulas e retiros na Chácara Anahata, em São Roque -  www.chakraanahata.org  --  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 
Henrique Saad Instrutor de Yoga na Chácara Anahata (São Roque-SP)


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