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Turismo na Índia Malana - Uma Utopia Perdida

Malana - Uma Utopia Perdida

Reporter Yoga
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No estado de Himachal Pradesh, próximo ao desfiladeiro Chanderkhani no Vale Kulu, existe um pequeno conglomerado de cerca de duzentas casas de telhado de pedra que constitui um vilarejo chamado Malana. Um cultivo singular faz com que o vilarejo seja diferente.

Malana tem cerca de 1.500 habitantes e possui um engenhoso sistema de administração com um tribunal superior e inferior guiado pelo espírito do deus do vilarejo chamado ‘Jamlu’. O vilarejo tem se destacado como uma unidade autônoma e auto-suficiente, cujos habitantes reivindicam uma ascendência grega. Os habitantes acreditam que Alexandre, o Grande passou por Malana durante a conquista da parte norte da região de ‘Hind’.

Também chamado de ‘Pequena Grécia’, situado nos Himalaias, o vilarejo é considerado objeto de estudo sociológico devido à singular arquitetura, idioma, rituais religiosos e sistema administrativo. A localização geográfica de Malana ajudou a preservar sua biodiversidade e, de fato, o lugar é um paraíso ecológico.

malana1Malana conecta-se a Kulu por três passagens nas montanhas — a partir do Vale de Parvati passando a garganta Rashol a 3.180 metros de altitude e via Nagar, atravessando a garganta Chanderkhani com 3.600 metros de altura. A forma mais fácil de se chegar a Malana é a partir de Jari, numa pitoresca trilha de 23 km. Jari fica a duas horas de carro de Kulu e está situado na confluência dos rios Malana e Manikaran Nallah, que se juntam para
formar o rio Parvati.

Segundo a lenda, Jamdagni Rishi, pai de Parashuram, uma das 10 encarnações do deus Vishnu, invocou Shiva após intensa penitência e pediu-lhe um lugar solitário, pleno de belezas naturais. Shiva disse-lhe para ir a Malana. Os dois irmãos de Rishi o seguiram. Para não encontrá-los, ele formou um nevoeiro no vale e disse que o lugar não era adequado. Os irmãos foram embora, um foi a Lahoul e o outro seguiu até o Vale Banjar. Malana já estava sob controle de um raxasa (do sânscrito: ser demoníaco, ogro) quando Rishi chegou lá. O raxasa Banasura resistiu a ele. O conflito entre Jamdagni Rishi e Banasura terminou com um tratado de paz, segundo o qual, a administração e a justiça deveriam ser tratadas separadamente. Banasura ficou encarregado da administração,
enquanto Jamdagni Rishi cuidava da justiça. Em caso de litígio na administração, o poder judiciário deve resolver o
problema. O idioma Kanashi tornou-se obrigatório para aqueles que vivem em Malana, como também os costumes e tradições predominantes. Durante as festas religiosas, o primeiro sacrifício era oferecido a Banasura. Com o passar do tempo, Jamdagni Rishi tornou-se mais importante que Banasura, mas o vilarejo manteve as tradições, seguidas até hoje.

Malana está dividida em duas partes — a alta Malana (Dhara Beda) e a baixa Malana (Sor Beda). Com exceção de duas famílias denominadas Lohars e Julahas que vieram ao vilarejo como percussionistas e foram autorizadas a se instalar ali, Malana é habitada apenas por Rajputs. Um caminho de pedras passa pelo centro do vilarejo de onde se pode observar pessoas descansando ou jogando dados, chamado localmente de panji. Para os forasteiros, existe uma longa lista do que é permitido ou não fazer no vilarejo. Os habitantes são amistosos, mas os forasteiros devem manter uma certa distância e não tocar em nada no vilarejo. As hospedarias (dharamshala) no centro do vilarejo são muito decoradas com esculturas em madeira retratando a flora e a fauna, com pavões, cavalos, elefantes, pássaros, flores e vários dançarinos.

Em Malana, as casas possuem dois ou três andares e cada andar tem uma função e um nome específicos. O andar inferior é chamado khudang, que serve de curral onde são armazenadas a lenha e a forragem para ovinos e caprinos. O primeiro andar denominado gaying é usado para armazenar alimentos, madeira e tecido de lã para tecelagem. O andar superior, com uma varanda, é chamado pati. É o andar onde vivem as pessoas. As casas são construídas com camadas alternadas de pedra e madeira. As paredes internas são cobertas com lama. A fachada externa é inteiramente feita de madeira.

Kanashi, o idioma de Malana, não se assemelha a nenhuma língua falada na vizinhança, mas parece ser uma mistura de sânscrito e vários dialetos tibetanos. Esta espécie de mistura torna difícil a compreensão do idioma para o visitante. O idioma também é considerado como um dos segredos do vilarejo e os visitantes não têm autorização para usá-lo na comunicação. As famílias Julaha e Lohar, que residem no vilarejo há cinco décadas, não estão autorizadas a falar Kanashi.

Dois importantes festivais (mela) são celebrados em Malana. Badoh mela é comemorado em agosto e Fagdi mela, em fevereiro. Durante os festivais, há um grande número de visitantes que vivem nos vilarejos próximos. São apresentadas relíquias sagradas de Jamdagni Rishi, na forma de instrumentos, jóias e peças de vestuário. Homens e mulheres dançam com indumentárias tradicionais constituídas por pijamas justos e adereços chola, kalgi, na batida dos instrumentos nagara, shanani, karnali e narsingha.

Os casamentos são eventos simples, sem sacerdote ou ritual. Os habitantes chamam-no de casamento rakshasi.


Como Chegar:

Via aérea: o aeroporto mais próximo situa-se em Bhuntar, a 13 quilômetros de Jari. Jari fica a 6 quilômetros de Malana.

Via terrestre: acesso por Manikaran, Jari ou Kullu. Porém, para chegar a esses lugares, é preciso seguir uma trilha até Malana.


Fonte: Notícias da Índia

 

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