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Turismo na Índia Índia: Dia-a-dia de Varanasi deságua no Ganges

Índia: Dia-a-dia de Varanasi deságua no Ganges

Pedro Zucchini
O dia começa cedo em Varanasi, uma das mais antigas e religiosas cidades do mundo. Ao surgirem os primeiros raios de sol, a cidade, no lado oeste do Ganges --o rio mais sagrado da Índia--, e suas famosas escadarias, construídas ao longo do leito do rio, despertam em ritmo frenético.

Logo cedo, o povo da cidade alcança as escadarias distribuídas ao longo de sete quilômetros, na margem esquerda do rio, e que dão acesso a ele.

As 98 "ghats", como são chamadas essas escadas de concreto, representam a ligação entre o terrestre e o divino. Acredita-se que o Ganges desaguou diretamente do céu para a Terra. Ao nascer do lado oposto da cidade, o sol vai gentilmente iluminando as escadarias e as construções --assim como o rosto daqueles que aos poucos surgem das vielas estreitas da parte antiga da cidade.

Embora aos olhos ocidentais o Ganges seja apenas um rio poluído e impróprio para o banho, isso não importa para os indianos, pois, ao se banharem ali, suas almas são purificadas.

Homens, mulheres, crianças e idosos de todas as castas chegam não só para o tal banho sagrado mas também para praticar ioga, fazer oferendas aos deuses hindus e rezar para "mother ganga", nome carinhoso dado ao rio.

Ao clarear o dia, os indianos já são muitos. Trajando roupas coloridas, trazem jarros nas mãos usados para o banho. É com essa peça que, depois, eles levam a água para casa. Em minutos, o rio está tomado de gente.

Estima-se que cerca de 6.000 pessoas visitem o Ganges por dia. E a música, composta por centenas de vozes que cochicham mantras (espécie de reza) em homenagem a Shiva ou a outras divindades, pode ser ouvida de longe.

Erguida há cerca de 2.500 anos, Varanasi, acreditam os hindus, foi a cidade escolhida por Shiva para morar com sua mulher, Parvati, logo após o casamento. Shiva, o deus da destruição, é o mais poderoso do panteão hindu. Por isso a cidade é tão especial para o hinduísmo, religião que alcança 80% da população do país.

Apesar de Varanasi ser considerada por historiadores uma das mais antigas cidades do mundo, a maioria das suas construções tem apenas algumas centenas de anos de idade.

A última invasão sofrida pela cidade foi dos muçulmanos afegãos, que destruíram templos e arrasaram construções antigas, no século 14. Depois disso, Varanasi foi reconstruída.

O destino preferido dos indianos é a Dasaswamedh Ghat, carinhosamente apelidada pelos viajantes ocidentais de "centro do universo". Lá, o nascer do dia é celebrado diariamente. Exatas 12 horas depois, o dia se encerra no local com uma cerimônia religiosa em homenagem ao sol.

Nessa hora, dezenas de sinos são tocados, e indianos de todas as partes do país comparecem em seus melhores trajes.

Na Dasaswamedh, todo o caos da Índia parece entrar em harmonia. Tem o vai-e-vem dos barcos transportando os indianos na volta da feira ou fazendo passeios com turistas de todos os cantos do mundo. Os mais numerosos são os japoneses, enrolados em panos para evitar o assédio do povo local --uma das maiores lições de paciência que os turistas têm de desenvolver na viagem ao país.

Há também massagistas, que literalmente andam em cima das costas de seus clientes; barbeiros, que na rua mesmo raspam as cabeças dos meninos órfãos, que tradicionalmente passam por esse ritual quando seus pais morrem e são cremados próximo ao local.

É curioso saber que, ao envelhecer e prever a chegada da morte, hindus de várias regiões do país seguem em uma viagem só de ida a Varanasi. O motivo? Querem morrer lá e realizar o último desejo de sua encarnação na Terra: que suas cinzas sejam jogadas nas águas do rio sagrado.

Dizem que Varanasi abriga centenas de viúvas. Na Dasaswamedh, reúnem-se indianos de castas superiores, que chegam para dar esmolas aos intocáveis --da casta mais inferior-- e garantir sua evolução na Terra.

Os hindus acreditam em reencarnação e crêem que seu comportamento em vida determina se nascerão em uma casta superior ou inferior na vida seguinte. Essa é a única forma de mobilidade social. Quem nasce em uma casta morre na mesma casta.

Tudo isso acontece ao mesmo tempo em Dasaswamedh. É possível passar dias inteiros sentado em seus degraus, só observando a movimentação, tomando "chai" (bebida típica indiana, uma mistura de chá preto, leite e temperos) e provando as delícias da comida de rua.

Fonte: Folha
 

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