Yoga e política: como a prática milenar pode ser uma ferramenta de transformação social

Solidariedade Acessos: 600

A prática do yoga muitas vezes é associada a uma sequência de exercícios ou então diversas posturas físicas que estamos acostumados a ver no Instagram. Mas, engana-se quem pensa que a prática se limita a isso, ela vai muito além disso e, na verdade, se trata de um sistema filosófico indiano. A palavra “yoga” tem sua origem no sânscrito, e sua raiz é “yuj”, que significa “unir” ou “integrar”. Por isso, o yoga tem como princípio fundamental a ideia de união e reintegração do corpo com a mente, levando ao equilíbrio do ser e à união entre todos os seres.

Para nos ajudar a entender o real significado do yoga, seus ensinamentos e também onde e como é possível que a prática se relacione até mesmo com a política, convidamos para a ‘Prosa’ desta semana a militante e professora de yoga na Yoga para Todes, Vanessa Joda, com a criadora do projeto Yoga Marginal, Tainá Antonio e com o deputado estadual pelo PDT-PR e estudante das tradições do yoga, Goura Nataraj.

Os ensinamentos do yoga buscam trazer os princípios e filosofias da prática para o cotidiano das pessoas. Durante a prosa, Vanessa Joda inclusive nos contou que para ela o yoga é algo para todos os corpos e todas as classes, é uma cultura e filosofia democrática. “Infelizmente o recorte do yoga no Brasil é um recorte branco, magro, cis, hétero, de corpos normativos e muito elitista. Mas na verdade, o yoga é uma filosofia libertária e de autoconhecimento e inclusiva na teoria e precisamos colocar isso também na prática”.

Com essa filosofia libertária, alguns dos principais ensinamentos da prática são a não violência e a busca por uma existência mais amorosa e acolhedora, sendo assim, considerada inclusive uma ferramenta de transformação social.

Tainá Antonio destaca inclusive, que a prática do yoga é algo coletivo, sendo individual apenas no sentimento. “É um sentimento individual e subjetivo e o meu sentimento no processo de encontro com o yoga é o de comunidade. Não só porque significa união, mas porque o lugar de caminhar e conviver junto com outras pessoas é a resposta do yoga no nosso dia a dia”.

Ela também destacou a forma como o yoga se relaciona com a periferia, a principal base de seu trabalho Yoga Marginal. Taíná destacou que a prática se potencializa muito em qualquer contexto periférico, porque a periferia é um local de ampliação do mundo e também gera em muitas pessoas uma sensação de pertencimento.

Mas, apesar de de pregar o respeito e igualdade acima de tudo, a prática do yoga na Índia, considerada seu berço, está intimamente ligada à classe média, às castas e também carrega traços de sexismo e elitismo em muitos contextos, não só em seu país de origem, mas no mundo todo.

Em diversos momentos da história, o yoga associou-se ou modificou-se conforme acontecimentos políticos e, atualmente, é usado inclusive para o avanço da extrema direita na Índia. O primeiro-ministro do país, Narendra Modi, faz parte de um grupo paramilitar que ataca opositores e persegue mulçumanos e é ligado ao Partido do Povo Indiano, conhecido por ser de direita e nacionalista hindu. Ou seja, sem respeito a outras religiões.

Em 2015, inclusive, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Modi utilizou e exaltou o yoga como forma de mudar o estilo de vida e criar consciência para mascarar e tirar o foco de suas ações de perseguição e intolerância religiosa na Índia perante os outros 174 países que participavam do evento.

Nessa relação da filosofia milenar com a política, o deputado Goura Nataraj afirmou que no Brasil especificamente a democracia além de jovem, é injusta e desigual, e destacou a potência do yoga para provocar mudanças. “Ainda vivemos em uma ditadura em muitos aspectos. Yoga não é só ficar no tapetinho, é como você age 24 horas por dia, como você pensa e conduz as coisas. Dentro da política você pode agir para que mostrar os princípios da não violência, da solidariedade e da compaixão. os princípios do yoga podem nortear políticas públicas que trazem avanços sociais e ambientais”, destacou.

O episódio também abordou questões como os benefícios do yoga para a saúde e para a vida em geral, a forma de aprender a conversar, conhecer e respeitar o próprio corpo, a dualidade entre apego e aversão na teoria do yoga e muito mais!

Ficou curioso para saber o que mais rolou nessa prosa? Então aperta o play, sinta-se em casa e vem com a gente! Ah, também guardamos dicas culturais incríveis para você nesse episódio enquanto aprecia um café com um pão quentinho! 

Imprimir
Adriano Campos
Adriano Campos

Artigos Relacionados

Bom lugar de estar

Arca do Amor na Fundação ORSA SP